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quinta-feira, 23 de julho de 2020

Resenha do livro "Juntando os pedaços"


Por Eduarda  Oliveira


NIVEN, Jennifer. Juntando os Pedaços. 1. ed. São Paulo: Seguinte, 2016.


       Jennifer Niven é autora de Por lugares incríveis, best-seller do New York Times traduzido para mais 35 línguas. Também escreveu quatro romances para adultos, três livros de não ficção e o roteiro de Por lugares incríveis para o cinema. Cresceu em Indiana e atualmente mora em Los Angeles.
           A obra conta a história de Jack, um adolescente diagnosticado por ele mesmo com prosopagnosia uma doença que impede de conhecer o rosto das pessoas, como se fosse um quebra-cabeça ele vê olhos, boca, nariz, cabelo… Mas não consegue juntar todas as peças, para gravar na memória.
        Ele usa marcas da própria pessoa para identificá-la, jeito de andar, cor da pele, cabelo, e a maneira de como se vestem para distinguir familiares e amigos. Porém ninguém sabe disso. Até que entra uma garota na escola, Libby.
           Libby passou os últimos anos dentro de sua casa tentando superar a morte de sua mãe. Ela se sente pronta para recomeçar. Em seus primeiros dias de aula é alvo de uma brincadeira cruel por causa do seu peso, e vai parar na diretoria com Jack.
        E pouco a pouco os dois vão se conhecendo e criando um laço, e aos poucos entendendo um ao outro como ninguém tinha feito antes.
        O livro é simplesmente leve de se ler, você consegue decifrar cada detalhe e consegue até sentir o que o personagem sente, de tão perfeito.
         A autora colocou pautas super importantes no livro, como bullying e aceitação. Os personagens não são comuns na sociedade, e é por isso que ensina e mostra o leitor que devemos lutar por um mundo livre de intolerância e julgamentos.
          Como quando Libby vestiu um maiô roxo escrito alguém gosta de mim, e gravou um vídeo, que teve seus comentários maldosos mas também teve comentários maravilhosos, e querendo ou não encorajou diversas garotas a não ligar para os julgamentos e simplesmente não precisar ter um corpo padrão para nadar.

‘’Se é um fardo tão grande, emagreça, e seu problema será resolvido. Mas estou confortável assim. Talvez eu perca mais peso, ou não. Mas o que as pessoas tem a ver com isso? Quer dizer, desde que eu não sente em cima delas, quem se importa?’’

           Jack também é um personagem incrível e forte, pois imagina acordar todos os dias e não reconhecer quem você é, não saber o rosto da sua mãe ou pai. Ele traz uma perspectiva de um mundo diferente e bem complexo, e isso é perfeito para o livro, e eu amei. Suas inseguranças, problemas familiares, e algumas coincidências, unem sua história com a de Libby.
         Juntando os pedaços é uma história fofa, linda e divertida de se ler. Tanto ter amor próprio como um romance de ensino médio.

"Eu me lembro dos seus olhos. Da sua boca. Das suas sardas que parecem constelações. Conheço seu sorriso, pelo menos três deles, e pelo menos oito de suas expressões, incluindo a que você faz com os olhos. Se eu soubesse desenhar, desenharia você sem precisar olhar. Porque seus rosto está gravado na minha mente". (Jack)

         E não se esqueça de viver o agora, não dá para você ficar esperando ser uma mulher linda, magra e rica, para viver e fazer as coisas que deseja. Seja feliz.
      Indico o livro para todos, pois precisamos de mais histórias assim e não é só um romance, precisamos combater o ódio com amor, sobre deixar de impor um padrão, sobre cuidar da própria vida.

Resenha do Livro "Eleanor & Park"



Por Beatriz Lacerda Miranda


ROWELL, Rainbow. Eleanor & Park. 8º Reimpressão Brasileira, Barueri SP, Novo Século Editora, 2019.


“Eleanor & Park me lembra não apenas de como é ser jovem e apaixonado por uma garota, mas também de como é ser jovem e apaixonado por um livro”
-John Green, autor de A culpa é das estrelas.

          A autora norte-americana de livros jovens-adultos ou adulto-contemporâneo Rainbow Rowell, em seu livro Eleanor & Park nos traz um “ amor imperfeito e extraordinário". A obra é engraçada, triste, sarcástica, sincera e, acima de tudo, geek. Os personagens que dão título ao livro são dois jovens vizinhos.
       Park, baixinho, descendente de Coreano, ama música e quadrinhos, não é popular mas tem seu grupo de amigos. Eleanor, “gorda “e ruiva, veste sempre roupas estranhas e sofre bullying dos colegas da escola. É a filha mais velha de uma família grande e problemática, com um padrasto que bebe e bate na sua mãe, Eleanor vê como dever proteger seus irmãos mais novos e tornar a vida do padrasto um inferno, até que é expulsa de casa e quando volta percebe que perdeu seus aliados de guerra, já que agora seus irmãos gostam do padrasto.
         Certo dia indo para a escola, Eleanor se vê obrigada a sentar ao lado de Park no ônibus e isso se repete por vários dias, no início nem trocavam olhares, mas com o passar do tempo Eleanor começa a prestar atenção e ler junto os gibis de Park. Ele percebe e então decide emprestar alguns a Eleanor, mas sem trocar uma palavra.
         Até o dia em que Park percebe que está gostando de Eleanor e ao ver ela sendo zoada pelos colegas entra em uma briga para defendê-la.

“ -Vou dar um jeito nisso.
-Não. Deixe pra lá. Não vale a pena.
-Você vale a pena- ele disse, ferozmente, olhando-a. – Você vale a pena. ”

         Os dois então passam a conversar e a se gostar até que embarcam em um namoro escondido, baseado em se ver na escola e algumas ligações durante a noite. Park então decide que está na hora de Eleanor conhecer seus pais.

“ -Tem certeza de que quer que eles me conheçam?
 -Sim. Quero que todos a conheçam. Você é minha pessoa favorita. ”   

         A família de Park aceita bem o namoro, mas a de Eleonor não. Eleanor conta a mãe, que pede para Eleanor não dizer nada ao padrasto. Este descobre o romance dos dois jovens e passa a perseguir Eleanor até que ela se vê obrigada a fugir de casa e pedir abrigo a um tio que mora em outra cidade.
         Eleanor quer ir sozinha, mas Park não permite e sem avisar os pais, pega o carro e leva Eleanor até a casa do tio.

“ –Acha que eu me importo com isso agora? –Segurou o rosto dela nas mãos.           
-Acha que me importo com qualquer coisa além de você? ”

         Ao ser deixada na casa do tio, os jovens se fazem várias promessas de ligações e cartas, mas com o tempo se afastam e eles percebem que esse namoro não passou de um extraordinário romance adolescente.

Resenha do Filme "Lion: uma jornada para casa


Por João Vitor Eufrásio Castro

Lion: Uma Jornada Para Casa. Direção: Garth Davis. Produção: Iain Canning, Emile Sherman, Angie Fielder. Estados Unidos: Entertainment Film Distributors, 2017. Netflix (118 min.).

O diretor Garth Davis nasceu em 1974 em Brisbane, Austrália. Já dirigiu programas para a televisão, comerciais e filmes. Em 2017 no Brasil, estreou o filme Lion: Uma Jornada Para Casa, um drama baseado em fatos reais. O filme conta a história do indiano Saroo (Sunny Pawar e Dev Patel), um garoto que, juntamente com a família, vivia cercado pela pobreza, em uma cidade chamada Ganesh Talai, Índia.
Aos cinco anos, Saroo, se perdeu do irmão mais velho, Guddu (Abhishek Bharate), numa estação de trem de Burhanpur, Índia. Pouco tempo depois ele foi parar em um trem, onde passou dias até parar em Calcutá. Ele não compreendia a língua, passou fome e foi perseguido por sequestradores de crianças. Após algumas semanas na rua, ele foi colocado em um orfanato, onde viveu um tempo.
Ele não teve sucesso em encontrar sua família, mas, felizmente, foi adotado por John Brierley (David Wenham) e Sue Brierley (Nicole Kidman), um casal australiano que morava na Tasmânia.
Eles eram um casal que acreditava no mundo como um lugar onde já havia muitas crianças, por isso adotaram e cuidaram muito bem de Saroo. A família resolveu adotar outro garoto, Mantosh (Divian Ladwa), que também era indiano e ficou bastante traumatizado por causa do período em que viveu na rua. Os dois irmãos nunca se deram bem.
Vinte anos se passaram. Saroo e Mantosh continuavam com dificuldades no relacionamento, porque Mantosh tinha um temperamento agressivo, com dependência química, o que deixava sua mãe muito preocupada. Esse fato fazia Saroo se afastar dele, porque não gostava de ver o sofrimento da mãe. Saroo, então, vai para os Estados Unidos estudar.
Na faculdade, em uma confraternização entre amigos, ele conta sua jornada de quando era pequeno. Um de seus amigos sugere que Saroo utilizasse o Google Earth para localizar a estação de trem onde se perdeu do seu irmão Guddu. Com a ajuda de sua namorada Lucy (Rooney Mara), ele encontra a estação de trem. Com o apoio de seus pais adotivos, viaja até Ganesh Talai, com o sonho de reencontrar a família, porque embora o sentimento de gratidão e amor pelos seus pais adotivos fosse muito grande, ele nunca esqueceu o carinho de seu irmão Guddu e o zelo de sua mãe biológica, uma mãe que, apesar da pobreza, fez de tudo por seus filhos. 
Finalmente reencontra sua família. Emocionado ao ver sua mãe biológica, não deixa de amar Sue, que também é sua mãe. Ali ele recebe a triste notícia que seu irmão Guddu faleceu, mas consegue superar e promove o encontro de seus pais adotivos com sua mãe, numa cena emocionante.
Na vida nós precisamos ser como Saroo: quando enfrentarmos um problema, devemos nos agarrar naqueles que nos apoiam e ajudam, para que assim, no futuro possamos vencer. 
Por ser um filme real e com uma lição muito importante, é recomendado para todas as pessoas.

quarta-feira, 15 de julho de 2020




Por Beatriz Lacerda Miranda.


BOWEN, James. Um gato de rua chamado Bob. 1 Edição Brasileira, Ribeirão Preto SP, Novo Conceito Editora, 2017.

“Às vezes é preciso sete vidas para salvar uma”
       
      Em Um gato de rua chamado Bob, o livro que deu origem ao filme, o autor e artista de rua James Bowen conta a história de como conheceu seu amado gato Bob.  James é um musico de rua lutando para sobreviver em Londres. Após passar por diversos conflitos em sua vida acaba se viciando em drogas e vivendo do pouco que consegue nas ruas movimentadas de Londres com a sua arte.
       Mas a história toma um rumo diferente quando, em um dia comum, James encontra Bob, um belíssimo gato laranja, nos corredores de seu prédio. A princípio James procura o dono do gato, porem ao perceber que provavelmente se tratava de um gato de rua, decide leva-lo ao veterinário. Logo depois de saber que estava tudo bem com Bob, James o leva para casa, na esperança de que o gato voltasse de onde veio, mas os planos de Bob eram outros.

“Acho que você quer ficar –Falei baixinho para ele. ”
       
        James então decide colocar o gato para dentro de casa e sair para “trabalhar”, mas sempre que chegava na rua, Bob estava logo atrás.

“Fique aí, você não pode ir para onde estou indo- disse. ”
        
          O personagem, então, se dá por vencido e deixa Bob acompanhá-lo. No caminho é parado por várias pessoas querendo fazer carinho e perguntando sobre o gato.

                   Ele é seu? – Disse ela, acariciando-o.
-Acho que sim- respondi. ”

        Ao voltar para casa James percebe que ganhou bem maios do que de costume e então se permitiu esbanjar um pouco, comprando uma comida melhor e também ração para Bob. Com o passar dos dias com James tocando nas ruas de Londres e Bob, deitado sempre ao seu lado, as pessoas que por ali passavam se acostumaram com a presença daquela dupla dinâmica.
      James então percebe que precisa mudar de vida já que agora tem mais alguém para cuidar. Arruma um emprego como vendedor de revistas ambulante e Bob, como sempre, o acompanha e ganha até um crachá especial de funcionário felino. 

“Você viu isso, Bob? - Disse a ele- Parece que somos oficialmente uma família”
“É Bob, parece que somos eu e você contra o mundo. ”
     
        Então graças a um pequeno felino laranja, James adquire responsabilidade, se livra de vez das drogas, melhora um pouco sua condição de vida e se torna “visível ao mundo”. E Bob encontrou um lar onde é muito amado.

“Todo mundo precisa de um tempo, todo mundo merece uma segunda chance. Bob e eu agarramos a nossa...”
       
         O livro mostra uma história incrível de superação e mostra que as vezes, você só precisa de uma mãozinha, ou nesse caso, de uma patinha. Para você, que ama animais e acredita na vida.                                                                                                                                                                                                                       

Resenha Livro: Lembra aquela vez, de Adam Silveira




Por Eduarda Oliveira


SILVERA, Adam. Lembra aquela vez. 1. ed. Rio de Janeiro: Rocco, 2017.
         Adam Silvera nasceu e cresceu em Bronx. Ele era livreiro antes de entra no ramo editorial infantojuvenil, gestor de comunidades e de redes sociais, e ainda como crítico de livros para adolescentes e adultos. É autor de vários de bestsellers. E é alto porque sim.
         Lembra aquela vez mostra a história de Aaron Soto, que está em recuperação após uma tentativa de suicídio, assim que viu seu pai morto com a própria navalha de barbear. Aaron tem um grande apoio de sua mãe e sua namorada Genevieve .
          Aaron vê a notícia de que um instituto está realizando um procedimento que retira as memórias dolorosas (Leteo), mas isso não seria o suficiente. Então depois de uma viagem da sua namorada, Aaron conhece um novo residente na área, Thomas. Um jovem, que parece não ter um bom direcionamento com a vida. Com o tempo essa amizade vai se fortalecendo e algo a mais vai crescendo além da amizade para Aaron.
           Infelizmente esse amor não é correspondido. E com mais esse sofrimento, ele percebe que existe algo de estranho em sua vida, ele descobre que é gay. E que as coisas não se encaixam do jeito que imagina. Seu irmão age de forma grosseira, e seu antigos amigos não aceitam a sua sexualidade, e dão uma surra nele.
           Aaron, então, decide que irá fazer o procedimento Leteo, para ver se isso irá ajudar a esquecer da sua sexualidade, porém o procedimento não dá certo. Não irei contar mais detalhes da história pois algumas surpresas acrescentam demais para o enredo.
           O que também me surpreendeu foi a mãe sempre apoiando ele e isso nos mostra que nem sempre todo mundo vai te oprimir, sempre tem alguém para te apoiar, e fazer com o que você não desista de quem quer se tornar ou ser, ''Obrigada por ser honesto comigo, Aaron. Já falei isso antes e não me canso de repetir: eu sempre te amarei do jeito que você for.''
             O livro me me deu a sensação de caminhar em um lugar desconhecido, onde pouco a pouco as coisas e pessoas formam e compõe um cenário complexo e diferente.
Aaron consegue fazer você pensar se você seria capaz de realizar um procedimento para esquecermos ou alterar alguma memória nossa,e se seria possível ser feliz fugindo de alguém que você é ou já foi.

Se os cegos são capazes de encontrar a alegria
na música, e os surdos podem descobri-la nas
cores,eu vou me esforçar ao máximo para sempre
encontrar o sol em meio a escuridão, porque
minha vida não é um final triste, mas uma série
interminável de começos felizes.  (Aaron Soto)

             No geral, Lembra Aquela Vez foi uma surpresa, pois entrei na leitura pensando em um romance divertido, e saí com meu emocional destruído, mas que no final é uma coisa boa na leitura, porque te dá uma esperança, mostrando que nem tudo precisa está bem, para as coisas serem absolutamente felizes, e que se você está bem com as pessoas ao seu redor, já podemos ter finais felizes.
            Mas o livro me surpreendeu do começo ao fim, é um livro bastante complexo, e que te prende bastante a atenção, o autor não deixou de colocar pautas polêmicas em meio ao livro como: suicídio, depressão, homofobia.